Millennium Portugal Exportador Regressa ao Europarque para Redefinir a Competitividade Nacional
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27 Novembro 2025
27 Novembro 2025
Análise do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia expõe as fragilidades da cadeia de valor automóvel. Apenas 19% do plástico de veículos em fim de vida é efetivamente reciclado, com o restante a acabar em aterros ou incineradoras.
A indústria automóvel europeia enfrenta um paradoxo de sustentabilidade: embora um único veículo ligeiro incorpore hoje cerca de 240 kg de componentes plásticos (entre 14% a 18% da sua massa total), a incorporação de material reciclado na produção de novos carros não ultrapassa, em média, os 3%.
Os dados constam de uma nova análise aprofundada do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia, que visa alicerçar a revisão da diretiva comunitária sobre veículos em fim de vida. O estudo identifica falhas críticas na circularidade do setor — o terceiro maior consumidor de plástico na UE (10% da procura total) — e propõe medidas rigorosas, incluindo metas obrigatórias de incorporação de reciclados.
Produção e Reciclagem
Os investigadores do JRC revelam uma desconexão profunda na cadeia de abastecimento. Enquanto os fabricantes de equipamento original consomem anualmente 5,2 milhões de toneladas de plástico na montagem de veículos, apenas 109.000 toneladas de plástico reciclado "pós-consumo" (o equivalente ao contido em pouco mais de 1 milhão de carros) reentram no ciclo industrial.
A maioria (80%) do material reutilizado atualmente provém de desperdícios industriais ("pré-consumo"), que são mais fáceis de processar, e não dos carros que chegam ao fim da vida útil.
O destino dos veículos abatidos continua a ser ambientalmente custoso. Segundo o relatório, do total de resíduos plásticos gerados por carros velhos:
• 41% acabam em aterros;
• 40% são incinerados para valorização energética;
• Apenas 19% são enviados para reciclagem.
Barreiras Económicas e Técnicas
O estudo identifica quatro bloqueios principais que a nova regulação terá de derrubar:
1. Económicos: O plástico virgem é frequentemente mais barato que o reciclado, e as desmanteladoras priorizam a recuperação de metais, que têm maior valor comercial.
2. Técnicos: O uso crescente de materiais compósitos (polímeros com fibras naturais) melhora a performance e o marketing "verde", mas torna a reciclagem convencional impossível.
3. Regulatórios: A disparidade de infraestruturas entre os Estados-Membros cria ineficiências no tratamento de resíduos.
4. Culturais: Existe uma resistência na partilha de dados entre empresas por receio de perda de vantagem competitiva.
Metas Obrigatórias Progressistas
Para reverter o cenário, o JRC sugere que Bruxelas avance com uma combinação de incentivos económicos e imposições legais. A recomendação central passa pela definição de metas obrigatórias progressivas para o uso de plástico reciclado em novos modelos, forçando a criação de um mercado para estes materiais.
Outras medidas propostas incluem a exigência de divulgação de informação sobre a composição dos plásticos ao longo da cadeia (uma espécie de rastreabilidade ou passaporte do produto) e o incentivo ao design de veículos que facilitem a desmontagem e triagem.
A Comissão Europeia sublinha que estas propostas servirão de base para o futuro regulamento, que substituirá a Diretiva 2000/53/CE, alinhando finalmente a indústria automóvel com as ambições do Pacto Ecológico Europeu.
fonte: environment.ec.europa.eu