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A indústria de moldes é um ramo de atividade que proporciona igualmente oportunidades para a presença feminina

28 Abril 2022

As mulheres têm facilidade em integrar-se, ainda que o chão de fábrica das empresas de moldes seja, ainda hoje, um ambiente quase exclusivamente masculino. Apesar dessa facilidade, na hora de recrutar são poucas as que surgem nas entrevistas de emprego. A explicação, na ótica das nossas entrevistadas, é que as áreas ligadas à produção, como engenharia e projeto, requerem uma entrega horária muito grande que nem sempre facilita a conciliação com a vida familiar.


Susana Pinho, formada em Engenharia e Gestão Industrial, chegou à indústria em 1998, ingressando na MDA, no Departamento de Metrologia e Calibração, apoiando simultaneamente, a implementação do sistema de gestão da qualidade para a obtenção da certificação. Hoje, é responsável pela área da Qualidade da Simoldes Tools.


Recorda que nessa altura a presença feminina em áreas de suporte à produção era extremamente reduzida e como tal partilha - “eu sentia-me constrangida quando tinha que me deslocar à área produtiva. Para além de não haver mulheres, eu era muito nova (tinha 23 anos)”, explica. Mas essa sensação rapidamente foi ultrapassada quando o contacto com a equipa lhe fez perceber que estava perante um grupo muito afável e disponível para a apoiar.


“Este sector de atividade é marcado fortemente pela presença masculina, mas nunca senti que me discriminavam ou diferenciavam por ser mulher”, conta. À medida que o tempo foi passando, sentiu-se totalmente integrada na equipa. Apesar da predominância masculina, a presença feminina tem vindo a ganhar espaço neste ramo de atividade.


Susana Pinho considera que a indústria de moldes pode, à partida, parecer pouco apelativa para as mulheres, no entanto, é uma realidade muito desafiante. “O que sempre me fascinou na minha experiência profissional foi o contacto com as diversas áreas desta indústria, onde o know-how é um fator de diferenciação e que está presente em pessoas inteligentes, humildes, com uma dedicação exemplar e que integram uma equipa prestigiada.”


“O reconhecimento do nosso trabalho é promovido pela capacidade que demonstramos naquilo que fazemos e naquilo que somos, independentemente do género”, revela.



MDA: “UMA JOVEM NO MEIO DOS HOMENS”

Em 1998, com uma licenciatura em engenharia eletrónica e telecomunicações, Carla Correia ingressou na indústria de moldes. Esse passo, recorda, foi determinante para deixar de lado o mundo das telecomunicações, que na altura estava em franco desenvolvimento, mas assegura que ainda hoje não se arrepende da decisão.


Foi a ligação do pai ao Grupo Simoldes, onde trabalhava, que a levou a arriscar a entrada no sector. Na época, conta, “não havia mulheres no departamento técnico, nem em nenhuma área de suporte à produção”. A sua presença era, então, na área comercial, na contabilidade, na secção de importação/exportação e também como telefonistas”.


A interação de uma mulher do departamento técnico com a produção foi numa novidade. Foi pioneira. Entrou como projetista, para a área de conceção de moldes. “Estive meio ano a estagiar na Simoldes Aços, para aprender o processo de fabrico do molde, como acontece com todos os que cá chegam, e também para me familiarizar com esta indústria pois a minha formação era noutra área”, recorda.


Acabada de sair do meio académico, era “uma jovem no meio dos homens”, relata, considerando que sentiu, nessa altura, “alguma desconfiança inicial por parte de alguns deles: olhavam-me com grande expectativa, a tentar perceber, sendo eu mulher, como iria desempenhar as funções”. “Recordo-me de, nesses primeiros tempos, empenhar-me ao máximo para realizar um bom trabalho, verificava vezes e vezes tudo aquilo que fazia”, conta, sublinhando ter aprendido imenso. “No início, era vista por eles com curiosidade, mas, ao fim de algum tempo, ao perceberem que também sabia fazer, fui integrando o grupo”, conta.


Carla Correia não estranhou o ambiente masculino porque estava habituada. “Vinha de um curso de engenharia que teve sempre poucas mulheres. Sempre me senti à vontade entre os homens.


Desde a escola que criava imediata empatia e proximidade e era bem aceite. E assim foi também na empresa”, enfatiza. E passados alguns contratempos iniciais, de alguma falta de confiança no seu trabalho – que atribui mais à sua tenra idade e à inexperiência da sua atividade no setor do que propriamente ao facto de ser mulher – foi conquistando o seu lugar, trabalhando com dedicação e paixão.


Passado pouco tempo, chegou outra mulher que ingressou no departamento de metrologia e durante vários anos foram as únicas que se relacionavam diretamente com a produção. “Só em 2012 chegaram ao departamento técnico mais mulheres”, conta, admitindo que, nos primeiros anos as empresas não as procuravam.


No entanto, o cenário foi-se modificando e nos últimos anos de uma forma paulatina as mulheres têm vindo a integrar os quadros técnicos da empresa.”


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Texto: Helena Silva
Publicação: Revista Molde, 133