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Uma “prudente esperança” de que nos próximos seis meses, Portugal e o mundo estejam em melhor situação, seja económica ou seja de controlo da pandemia de Covid-19, foi manifestada por Paulo Portas no decorrer do webinar ‘A internacionalização do seu negócio passo-a-passo’ que, organizado pela CEFAMOL e a Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), decorreu no dia 16 de dezembro.
Paulo Portas, vice-presidente da CCIP, sublinhou que, na ótica de quem sofreu, e ainda sofre com a pandemia de Covid-19, “não é uma banalidade pensar que, em 2021 possa ter início a etapa final de uma perturbação da vida a todos os níveis”. Por isso, enfatizou, “em princípio, 2021 será melhor e 2022 ainda melhor”. No entanto, fez questão de chamar a atenção para um facto: o arranque das economias não terá lugar de forma simétrica. Pelo contrário, será marcado por diversas assimetrias.
Como exemplo, lembrou que a pandemia foi propagando o seu impacto, primeiro na Ásia, depois na Europa e a seguir nas Américas e assim sucessivamente, em diferentes vagas. Ora, no seu entender, no que toca à retoma económica, os Estados Unidos da América estão em melhor condição de ascender, uma vez que a quebra na economia, este ano, ascenderá a cerca de 4%, metade do que cairá a economia europeia (cerca de 8%). Por contraste, destacou, a economia chinesa crescerá em 2020, entre 1 a 2%.
Ainda sobre a economia europeia, advertiu que “o que nos interessa é saber se em 2023 já vamos estar ao nível de 2019”. Considerou, a este nível, que o Plano de Recuperação criado para apoiar, nesta fase, os 27 países foi “um progresso em relação à Europa que tínhamos antes”.
Em relação a Portugal, salientou que o país necessita da globalização para voltar a crescer e, sobretudo, da “confiança das empresas”. Exortou, por isso, os empresários a recorrer aos apoios que tiverem ao seu alcance, frisando que no caso da indústria de moldes, esta está bem posicionada para o fazer, uma vez que esteve sempre inserida nos dois eixos principais deste programa de apoio: digitalização e economia circular.
Paulo Portas manifestou ainda preocupação em relação ao impacto que está a ter a pandemia em África, defendendo que é necessário que os países das economias mais desenvolvidas tomem medidas para “não sufocar a economia africana”.
Desafios
Nesta sessão, que contou com a presença ‘virtual’ de cerca de 130 participantes, foram abordadas diversas perspetivas dos mercados internacionais para 2021, bem como o posicionamento da indústria de moldes no contexto mundial. A esse nível, João Faustino, presidente da CEFAMOL, salientou que a Associação “terá um papel estruturante na nova dinâmica que se prevê para o sector”.
Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, deu conta dos desafios que o sector tem pela frente ao nível dos mercados, destacando a indefinição no automóvel (o principal mercado dos fabricantes de moldes portugueses), as mudanças nas cadeias de valor nessa indústria, assim como o surgimento de novos players ou os novos conceitos de mobilidade.
Destacou o importante papel que já tem e continuará a ter a digitalização, no futuro das empresas e deu conta também da estratégia que a Associação tem para os próximos dois anos: consolidar os mercados tradicionais e conquistar e reforçar a sua posição noutros, como os Estados Unidos ou México, e, em simultâneo diversificar e penetrar em novas áreas de atividade. Para isso, a CEFAMOL tem calendarizadas várias ações, ao longo dos dois anos, que passam por marcar presença nos principais eventos mundiais do sector, bem como promover encontros entre fabricantes e fornecedores, seja dos atuais, seja de novos mercados geográficos.
No webinar, Andreia Jotta, diretora de Marketing da CCIP, apresentou um conjunto de ferramentas digitais que, a baixo custo, estão ao dispor das empresas para que incrementem a sua posição online e a internacionalização dos seus negócios.
Já Pedro Magalhães, diretor de Comércio Internacional da CCIP, elencou algumas das ações que a instituição tem promovido como forma de apoiar as empresas portuguesas a encontrar parceiros/clientes em vários mercados pelo mundo. E apresentou um conjunto de missões previstas para decorrer no ano de 2021 em diversos países de África, do Médio Oriente, da América do Sul ou da Europa. Na sua opinião, a pandemia de Covid-19 veio dar maior destaque aos eventos ‘virtuais’, no entanto “muitos negócios ainda dependem da ação presencial para ter sucesso”. E é nesse ponto que assentará a estratégia de promoção da CCIP para 2021.
A sessão contou ainda com a presença de Alexandra Morais, coordenadora comercial de negócio internacional na direção de Marketing de Empresas da Caixa Geral de Depósitos que apresentou um conjunto de ferramentas e operações bancárias que, na sua opinião, constituem um suporte fundamental no comércio internacional, uma vez que, e entre outros exemplos, tornam as operações (como pagamentos e recebimentos) mais seguras.