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Não há inovação que não tenha, necessariamente, que impactar a sustentabilidade. E não se assegura a sustentabilidade sem inovação. Ou seja, “a inovação e a sustentabilidade interagem - têm que interagir - em absoluto”.
Assim o defende Pedro Gago, diretor do Gabinete de IDI do Grupo Vangest, considerando que só se consegue alcançar a sustentabilidade através de processos e comportamentos inovadores. “Como sabemos não há plano B à sustentabilidade e também sabemos que se a mesma não derivar de processos/comportamentos inovadores, nunca a conseguiremos alcançar”, afirma.
Dessa forma, e do ponto de vista empresarial, “o quadro de exigências e oportunidades é definitivamente crescente”, considera, exemplificando com duas dimensões principais: “a primeira é ao nível dos processos de engenharia, de produção e gestão de produção. Conceber e produzir soluções, produtos mais sustentáveis do ponto de vista dos seus consumos intrínsecos, i.e., monitorização e otimização do rácio energético/carbono por unidade de solução e/ou produto produzido”. Já a segunda, adianta, “é que as exigências, até legais, à consubstanciação da sustentabilidade, têm vindo a originar uma série de novas áreas de negócio”. Aponta como exemplo o “desenvolvimento de produtos com forte incorporação de rastreamento/digitalização, a utilização de matérias-primas termoplásticas alternativas e produtos orientados para as novas práticas de recolha de resíduos”.
“Estas novas áreas configuram, também, importantes, novos e inovadores paradigmas de engenharia”, sustenta. No caso do Grupo Vangest, adianta, “temos, por um lado, em operação um conjunto de tecnologias de termoinjeção inovadoras (os tais bons rácios de energia p/ produto produzido) e, por outro, a nossa Unidade de Design Industrial tem em carteira um conjunto de projetos inovadores, com importante incorporação digital, diretamente relacionados com a recolha de resíduos, para implementação em via pública”.

Pedro Gago — VANGEST
Pedro Gago refere ainda que o grupo lidera um consórcio nacional ao programa PRR “com foco no desenvolvimento de soluções, em diferentes domínios, de embalagens mais sustentáveis”.
A sustentabilidade é, hoje, um dos grandes desafios que se coloca às empresas, até porque o mercado exige, cada vez mais, que métodos e processos e também os produtos tenham em conta práticas mais verdes.
Pedro Gago explica que o mercado tem vindo “a exigir soluções de engenharia de produto, digitalização de produto e processos, incorporação de matérias-primas Bio, incorporação de reciclados (e no que aos reciclados diz respeito, há toda uma gama de processos tecnológicos que têm que ser customizados)”.
“Cada vez mais, o mercado quer estar respaldado nos seus fornecedores relativamente a boas práticas de sustentabilidade, tanto a nível do produto como dos processos de fabrico”, salienta, considerando que “no corrente quadro, ou o sector se posiciona com inovação e tecnologia, ou está fora de jogo”.
Sublinhando que “este é um processo contínuo”, esclarece que “há hoje uma articulação crescente entre todos os players do sector, onde incluo, claramente, as entidades científicas e, também, a administração pública (basta salientar que todos os programas de apoio ao desenvolvimento e investimento, no quadro dos apoios de estado, são orientados para a sustentabilidade), no sentido que todos possamos fazer esta transformação que chamaria de cultura tecnológica”.
Mas não há transformação sem desafios. Por isso, enfatiza, “é preciso um forte investimento em inovação, tecnologia e capacitação”. No seu entender, é necessária também “uma articulação crescente entre todos os intervenientes”.
É que, afirma, “a sustentabilidade resulta de um processo circular que deve/tem de estar fechado. Por exemplo, novas soluções/produtos, novos processos de fabrico, novos comportamentos do cidadão, re-utilização/reciclagem, em círculo fechado”. E a necessária mudança acaba por refletir-se na vida das organizações.
“O impacto será sobretudo no sector da produção de produtos de base polimérica (os plásticos). O mercado, a legislação, vão exigir um novo paradigma de produção e consumo, e o sector terá que procurar a devida adaptação”, defende.
Mas a indústria está comprometida com essa necessidade. Como exemplo, destaca, em relação à candidatura ao PRR, a participação de cerca de 100 entidades e empresas, “transversais às fileiras e cadeias de valor do sector, fortemente comprometidas no desenvolvimento de novas linhas - e são aproximadamente 20 linhas/temáticas em avaliação, de produção de embalagens sustentáveis”.
A seu ver, a maioria das empresas valoriza esta questão. No caso da Vangest, refere, a sustentabilidade é mesmo uma prioridade.