"Chuva" de contratos de Defesa supera 50 mil milhões de dólares
O arranque do Fórum Industrial de Defesa, na cimeira da NATO em Ancara, ficou marcado pelo anúncio (...)
13 julho 2026
14 novembro 2022
Eficiência é, no entender de Ricardo Ferreira, da Intermolde, a prioridade que todos os gestores devem ter nas decisões que tomam em prol das suas empresas. “Falar em sustentabilidade industrial é falar em eficiência produtiva com responsabilidade ambiental e social”, defende. Desta forma, considera que sustentabilidade e eficiência devem caminhar lado a lado. E, ao contrário do que muitas vezes se diz, a sustentabilidade não se restringe às questões ambientais.
“Quando se fala num processo produtivo, designadamente na indústria de moldes, o custo energético é apenas uma pequena parte dos custos: deve assim haver eficiência em todo o processo”, explica. E o ponto de partida dessa atitude tem lugar na seleção da matéria-prima, acrescenta. Ou seja, “tendo a indústria de moldes, tipicamente, processos subtrativos, quanto menos material se tiver no início, melhor, porque o desperdício será menor”, afirma. Depois, é preciso ter atenção ao uso das ferramentas, apostando, sempre que possível, na sua reciclagem e reutilização. E, adianta, faz parte também da sustentabilidade, apostar em questões como “a minimização de tempo ativo e de esforço da mão-de-obra”. Ou seja, “há que pensar bem os layouts produtivos, a organização dos postos de trabalho e, sempre que possível, automatizar e robotizar”.
Ricardo Ferreira lembra que, nos últimos tempos, a discussão tem sido muito em torno dos custos das matérias-primas e energias, mas, no seu entender, “fala-se pouco do custo da mão-de obra”. E esta é uma questão na qual “não se pode poupar porque não podemos prescindir de-mão-obra qualificada”. E é aqui que reside a preocupação social: “temos de pensar nas pessoas e proporcionarlhes boa qualidade de vida”. Até porque, tendo esta premissa como ponto de partida, a eficiência produtiva de pessoas motivadas e empenhadas acabará por ter reflexos diretos na sustentabilidade económica da empresa. Todas estas questões, defende, “têm de estar em equilíbrio” para alcançar a desejada eficiência. Esta é, desde há muito, a visão da Intermolde, explica.
// Ricardo Ferreira (Intermolde)
Há ainda um outro fator que tem peso nesta questão: “as empresas têm de medir muito bem os seus investimentos”, adverte. A sustentabilidade, salienta ainda, “deve ser analisada em toda a cadeia de valor”. Ou seja, devem ser tidos em conta os fornecedores, de forma a fomentar “a responsabilidade social e ambiental”, mas também a geografia, privilegiando a compra local de forma a reduzir os transportes (sobretudo aéreos) e a pegada carbónica gerada.
Relativamente a jusante da cadeia de valor, salienta, “devemos ponderá-la até ao consumidor final e, sempre que possível, pensar em inovações de produto ou serviço que reforcem a sustentabilidade”. E exemplifica: “no caso específico dos moldes para vidro, executar um bom projeto de moldes com a seleção mais adequada de materiais poderá traduzir-se, nas vidreiras, na criação de garrafas mais leves com a mesma resistência das mais pesadas, e uma boa construção dos moldes poderá significar um desempenho mais eficiente na produção de garrafas”.
É desta forma, explica, que a Intermolde se posiciona no mercado, considerando que o mesmo acontece com a indústria de moldes para plástico. “Estando perfeitamente integrada no desenvolvimento de produto, a nossa indústria teve sempre este aspeto da eficiência em consideração”, defende, salientando que “neste sentido, a temática da sustentabilidade abre excelentes oportunidades à indústria nacional comparativamente, por exemplo, aos seus concorrentes asiáticos”.
Um exemplo que aponta é o investimento em painéis fotovoltaicos. Mas também os investimentos na valorização de resíduos gerados na produção (limalhas, sucatas, fluidos de corte, etc.), a otimização económica e a rastreabilidade dos resíduos até o final da linha, são outras opções que refere como importantes. “Em 2013, quando se mudou para a zona industrial, a Intermolde montou um sistema de filtragem e oxigenação de fluidos de corte que permite aumentar a sua utilização em corte, diminuindo assim a quantidade anual deste tipo de resíduo”, conta, acrescentando que o mesmo se passa com o sistema de reutilização de água, evitando o desperdício. E é perentório em considerar que “a sustentabilidade abre oportunidades”, adiantando que são inúmeros os exemplos disso mesmo, no seio industrial.