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Olhar para todas as questões que, indireta ou diretamente, influenciam o negócio. E, periodicamente, pensar, refletir e definir rumos para o futuro. Para Jorge Santos, da Vipex, a sustentabilidade é o resultado de uma estratégia devidamente definida pela empresa.
Aponta a Vipex como exemplo, explicando que a empresa obedece a sete pilares essenciais como forma de assegurar a sustentabilidade: Visão, Orientação para o Mercado, Processos Integrados e Sistematizados, Pessoas, Respeito e Envolvimento, Redução da Pegada Ambiental, e Digitalização/Advanced Manufacturing.
Foi em 2008 que a Vipex realizou a sua primeira reflexão alargada, que analisou pormenorizadamente todos os aspetos da empresa, incluindo o modelo de negócio e as perspetivas de futuro. “É extremamente importante que façamos este exercício de colocar tudo em causa: o negócio, os clientes, os mercados e, para além disso, ver os fatores críticos de sucesso, avaliar e agir a partir dessa reflexão”, explica.
A experiência foi de tal forma positiva que passou a ser repetida a cada cinco anos. E desta forma, garante, a estratégia está sempre atualizada e alinhada com as orientações, sejam económicas ou outras, e as tendências dos mercados. Destas reuniões magnas, explica, há duas questões que se têm mantido no topo das preocupações. A primeira, diz respeito às pessoas, ao ambiente de trabalho, às perspetivas de evolução nas carreiras, à integração plena na empresa. “A visão da empresa está definida, mas, no essencial, se cuidarmos bem das nossas pessoas, elas tratam bem do nosso negócio e dos clientes”, sustenta. A segunda questão prende-se com o ambiente: a aposta de substituição dos plásticos por um único produto, amigo do ambiente.
Jorge Santos enfatiza que a sustentabilidade de uma empresa é o conjunto de todos os fatores, colocados em perfeita harmonia. Tudo começa pela visão. É ela que permite definir a empresa, o seu rumo, a sua reputação, a tecnologia que adota, os seus mercados, os seus produtos, o seu posicionamento face aos clientes. Esta tem de estar perfeitamente definida e deve ser clara para toda a estrutura. Depois, num momento seguinte, é decisivo que a empresa tenha uma orientação para o mercado. Conhecer os clientes, saber quais os seus desejos, as suas preocupações. Para isso, defende, é preciso uma enorme aposta na comunicação.
E parte da comunicação reside na integração e sistematização dos processos. Algo que as empresas têm de ter presente e definido como aposta. Desde os processos da gestão, aos operacionais e de suporte, até aos requisitos e satisfação dos clientes. Tudo tem de estar ligado e sistematizado.

//Jorge Santos (Vipex)
GERAR VALOR
Para que tudo isto se articule, o papel das pessoas é fulcral, defende. Por isso, as empresas “devem apostar nas suas pessoas”. É importante que “lhes seja dada autonomia, que sejam valorizadas, que se promova o trabalho em equipa, mas também que haja flexibilidade”, afirma.
Além destas primeiras questões que constituem a o cerne da atividade, a empresa tem de ir mais além. Tem de olhar em volta, conhecer o local onde está implantada e integrar-se nele. Ou seja, tem de respeitar e envolver-se, numa lógica de responsabilidade social e de contribuição para a comunidade. Parte desta integração está, precisamente, no ponto que Jorge Santos define de seguida: a redução da pegada ambiental.
Esta é, admite, “uma das questões que os clientes mais valorizam neste momento”. E, salienta, as empresas têm de estar dispostas a responder a esses desafios. “Temos de ser verdadeiros com aquilo que fazemos a esse respeito, não estamos dispostos para fazer uma coisa e dizer outra. E a Vipex está determinada e a dar passos concretos na redução da sua pegada”, adianta, explicando que um desses passos é a aposta na redução do desperdício.
“Redução da pegada ambiental não é incompatível com a redução dos custos, nem com os resultados da empresa”, assegura, contando que, desde há bastante tempo, a empresa é certificada pelos seus procedimentos a nível ambiental.
Num sétimo e último ponto, destaca a Digitalização e o Advanced Manufacturing. Explica que o futuro tem de estar sempre presente numa reflexão sobre a empresa e, por isso, estas questões têm de ser ponderadas. “Nada vai substituir as pessoas. Mas começamos a ter e teremos cada vez mais processos digitais para ajudar as pessoas”, considera. Para além de facilitar o trabalho, estas ferramentas digitais possibilitam uma outra questão, fundamental para o sucesso dos negócios: a eliminação do erro. “Com a digitalização ganhamos rigor e, com isso, melhoramos a produtividade e geramos valor”, salienta.
Com este conjunto de medidas em funcionamento, a empresa ganha sustentabilidade, no seu sentido mais lato. Mas, por vezes, o cliente nem sempre está disposto a valorizar estas questões.
“É verdade que, em muitos casos, os produtos, os materiais mais sustentáveis são mais caros e os clientes não estão dispostos a pagar mais por isso”, explica, considerando que as empresas têm de ter, também, um papel muitas vezes pedagógico. “Temos de fazer as contas com eles, mostrar o que ganham com a adoção de práticas mais sustentáveis”, considera, sublinhando que, muitas vezes, “é preciso fazer diferente, começar desde o primeiro momento a trabalhar com o cliente e, logo no design, fazer diferente”. Mas não só. “Temos também de tentar incutir este espírito nos fornecedores para que tenham soluções diferentes, lançar-lhes desafios”, considera.
Em todo este processo, sustenta, é muito relevante o trabalho com as escolas e a investigação. “Temos de trabalhar, cada vez mais, em conjunto. Até porque a perceção que temos é que, muitas vezes, o conhecimento gerado pelos projetos de investigação não está a chegar ao mercado. E isso não pode ser, até porque o mercado carece muito desse conhecimento”, defende.