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ECONOMIA & MERCADOS
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Suíça - situação económica e perspetivas
04 FEVEREIRO 2021
TEMPO DE LEITURA: 4 MIN

“A economia Suíça é uma das mais competitivas do mundo, principalmente graças ao sector de serviços. Comparando ao nível internacional, a dívida pública suíça é relativamente baixa. Além disso, a Suíça dispõe de um sistema tributário competitivo. Composta principalmente por pequenas e médias empresas, a economia suíça é baseada na exportação.” – é assim que a Suíça se apresenta oficialmente.


Em termos gerais verifica-se no 4º trimestre de 2020 que a contração económica na Suíça será menor do que o temido. A previsão de queda anual do PIB é agora de -3,8% (em junho perspetivava-se -6,2%) enquanto que a taxa de desemprego médio anual esperada de 3,2%. Resta ainda aferir integralmente o impacto da 2ª vaga de Covid-19 que surpreendeu a Suíça pela sua rapidez e amplitude.


Com o relaxamento das medidas de política sanitária a partir do fim do mês de abril, a economia suíça iniciou um processo de rápida recuperação logo a partir do profundamente negativo segundo trimestre de 2020 (-7,3%PIB), tanto no âmbito do consumo, quanto no âmbito do investimento. Como consequência, o recurso aos instrumentos de apoio à manutenção dos postos de trabalho e às linhas de financiamento colocadas à disposição das empresas foi substancialmente menor do que o projetado.


A recuperação acelerou ao longo do 3º trimestre. Assim, alguns sectores económicos, como por exemplo os da restauração e hotelaria (fora dos principais centros urbanos) beneficiaram do facto de os suíços terem viajado menos para o exterior e feito férias na Suíça. Outros sectores, como por exemplo a indústria manufatureira, mais dependentes da conjuntura internacional, recuperaram a uma taxa mais lenta. O mesmo acontecendo com sectores que sofreram um impacto direto da pandemia e das medidas tomadas para a conter, como o turismo internacional, a cultura e os grandes eventos.


De qualquer forma, a retoma económica ainda é incompleta, sendo que na maior parte dos sectores económicos, o nível do ano precedente não foi atingido e prevê-se que não o seja integralmente até 2022, isto no pressuposto de que nem a Suíça, nem os seus principais parceiros económicos tenham de instaurar um novo confinamento em larga escala.


A redução de -3,8% do PIB prevista para 2020 é a mais forte redução desde 1975.


Até ao final do ano, os peritos prevêem a continuação de um crescimento da economia a um ritmo moderado e projetam para 2021 um crescimento do PIB em torno de 3,8%, abaixo dos 4,9% de crescimento apontados em Junho deste ano. Em 2021 a situação internacional será provavelmente caracterizada por uma certa heterogeneidade sendo que na perspetiva da Suíça, os países do sul da Europa, particularmente dependentes do turismo, sentirão de forma agravada a crise da pandemia; outros países entre os quais os EUA e a Alemanha deverão recuperar-se mais rapidamente. No global, a economia mundial deverá recuperar de uma forma lenta o que se refletirá na fortemente exportadora economia suíça. Quanto ao mercado do trabalho, a situação deverá melhorar, mas lentamente, assim o desemprego deverá atingir em 2021 os 3,4% (a previsão feita em Junho era de 4,1%), enquanto o aumento do número de postos de trabalho será moderado.


Relativamente aos riscos conjunturais, apontam-se a pandemia Covid-19 e as reações dos círculos económico e político como o principal risco. Certo é que a Covid-19 trouxe um novo ritmo à economia. Um ritmo de “stop-and-go”, em que se sucedem a pequenas acelerações, momentos de “travão a fundo”. Este é um ritmo de consequências desconhecidas, imposto por três atores imprevisíveis: o vírus, as medidas governamentais e a resposta dos atores económicos. Mas é também um ritmo que é divergente no seu impacto na sociedade, existindo aqueles que se mantêm a trabalhar ao longo de todo o processo e aqueles que param e arrancam. Na Suíça, o “stop” corresponde à recessão da primavera quando o PIB Suíço caiu 7,3% e o “go” à retoma de 5,5 a 6,5% verificada no 3º trimestre. Amplitudes trimestrais nunca registadas anteriormente. O 4º trimestre será de novo um trimestre de “stop”. Mas espera-se que a vacina permita superar o ritmo.


Continue a ler este artigo na revista Molde de janeiro (clique AQUI).

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