A sustentabilidade no setor automóvel deixou de se resumir à eletrificação dos motores ou ao encerramento dos ciclos de vida dos materiais; exige uma mudança profunda de mentalidade desde o primeiro esboço de um veículo. É esta a principal conclusão do projeto de investigação “Future Sustainable Car Materials” (FSCM), liderado pelo BMW Group em colaboração com parceiros da indústria e da academia.
Sob a diretriz “Design for Circularity”, o construtor alemão desenvolveu metodologias para garantir que os componentes dos seus automóveis sejam concebidos de raiz a pensar na reciclagem, na redução de peso e na facilidade de desmontagem no final da vida útil (design for disassembly).
Menos componentes, mais integração funcional
Entre os avanços apresentados no projeto, destacam-se novos conceitos de engenharia e materiais inovadores:
Ferramentas digitais para decisão em tempo real
Para operacionalizar este conceito, foi desenvolvida uma plataforma digital de dados que integra propriedades de materiais, resultados de testes e critérios de sustentabilidade diretamente no ambiente de trabalho dos engenheiros (sistemas CAD e PLM). Desta forma, as equipas de desenvolvimento podem tomar decisões informadas sobre o impacto ambiental, limites mecânicos e teor de reciclados logo na fase inicial do projeto.
Da investigação para a produção em série
Os resultados destas metodologias já estão a ser aplicados na produção de novos modelos. O novo BMW iX3 50 e a futura gama Neue Klasse são exemplos diretos desta transição, contando com cerca de um terço de matérias-primas secundárias na sua constituição, atingindo até 80% de alumínio reciclado em componentes fundidos.
Esta abordagem integrada demonstra o papel decisivo da engenharia de materiais e da moldagem industrial na criação de componentes mais simples, leves e facilmente recicláveis, alinhando a eficiência produtiva com as exigências ambientais do mercado automóvel global.
Fonte: allaboutindustries.com