A indústria automóvel atravessa a maior redefinição da sua história recente. A transição acelerada para a eletrificação, o aparecimento de novas arquiteturas de veículos, a utilização de materiais inovadores e a reorganização profunda das cadeias globais de abastecimento estão a alterar radicalmente os produtos e os respetivos processos de produção. Para o setor português de moldes, cuja projeção internacional se construiu em estreita ligação com o mercado automóvel, este contexto impõe um desafio exigente de adaptação, ao mesmo tempo que abre janelas de oportunidade para aplicar a engenharia acumulada a novas necessidades industriais.
A forte relação histórica com o automóvel incutiu nas empresas nacionais uma cultura exigente de rigor técnico, gestão de projetos complexos e cumprimento de padrões de qualidade excecionais. Embora estas competências permaneçam indispensáveis, a natureza da procura sofreu uma viragem inequívoca: os clientes procuram parceiros capazes de co-desenvolver componentes, propor alternativas de fabrico, antecipar riscos de industrialização e encurtar o tempo de acesso ao mercado. A capacidade de engenharia e a participação em fases precoces de desenvolvimento tornaram-se, por isso, tão determinantes quanto a capacidade de execução da própria ferramenta.
Acompanhar este novo ciclo exige uma aproximação contínua aos fabricantes e fornecedores de primeiro nível, compreendendo as suas estratégias de investimento e antecipando alterações tecnológicas. Em paralelo, a sustentabilidade do setor passa por mitigar a exposição a uma única cadeia de valor através de uma diversificação inteligente. Diversificar não significa desinvestir no setor automóvel, mas sim rentabilizar o conhecimento aí consolidado para responder a mercados com forte potencial de crescimento, como os dispositivos médicos, a eletrónica, a aeronáutica, a energia, os equipamentos industriais e as embalagens sustentáveis.
Esta transição requer o suporte de investigação aplicada, em colaboração com universidades e centros tecnológicos, aliada ao aproveitamento da transformação digital e de tecnologias como a inteligência artificial para otimizar o planeamento, aumentar a produtividade e reforçar a sustentabilidade operacional. Num cenário de margens pressionadas, o planeamento rigoroso e a robustez financeira das PME mostram-se vitais para direcionar investimentos para áreas com procura real e retorno garantido.
O futuro da indústria de moldes não depende de adivinhar com exatidão o veículo de amanhã, mas sim de consolidar empresas flexíveis, capacitadas e aptas a gerar novas fontes de negócio. Compreender como converter a experiência acumulada no setor automóvel numa alavanca de inovação e diversificação é o eixo central que justifica a inclusão deste tema no programa do XII Congresso da Indústria de Moldes, marcado para os dias 26 e 27 de novembro, no Teatro Stephens, na Marinha Grande.
Assegure o seu lugar nesta reflexão estratégica sobre o rumo da indústria nacional. As inscrições encontram-se abertas e podem ser efetuadas no site oficial do evento em www.cim-portugal.pt.