O reforço das capacidades industriais e tecnológicas de defesa e segurança na Europa está a impulsionar uma redefinição profunda das necessidades produtivas do continente. Num momento em que a Europa procura fortalecer a sua autonomia estratégica, abrem-se perspetivas reais de diversificação para a indústria portuguesa de moldes, permitindo rentabilizar em novas áreas o know-how, a precisão e o rigor desenvolvidos ao longo de décadas de colaboração com os mercados internacionais mais exigentes.
Embora o setor dos moldes não fabrique tipicamente o produto final, desempenha um papel determinante na sua industrialização e viabilização técnica. As competências acumuladas em desenvolvimento de ferramentas, materiais avançados, metrologia, simulação e garantia de produção repetível são perfeitamente aplicáveis a múltiplas soluções civis e industriais associadas à segurança e defesa. Contudo, a entrada neste mercado não acontece por mero contágio do aumento dos orçamentos públicos; exige uma abordagem extremamente criteriosa, planeada e adaptada às exigências específicas deste ecossistema.
Para explorar estas oportunidades de forma sustentável, as empresas nacionais precisam de avaliar onde as suas valências são efetivamente transferíveis, analisando ciclos de contratação, especificações técnicas e requisitos rigorosos de rastreabilidade, cibersegurança e proteção da informação. Em vez de tentarem aceder isoladamente aos mercados finais, o caminho mais consistente passa por estabelecer parcerias estratégicas como fornecedores especializados de engenharia junto de empresas integradoras e grandes fabricantes já consolidados no setor.
Esta transição deve ser integrada numa estratégia empresarial mais ampla, suportada pela cooperação entre associações como a CEFAMOL, centros tecnológicos e universidades, bem como por uma articulação próxima com entidades públicas. A defesa e a segurança não representam uma solução universal para todas as empresas, mas constituem uma via promissora de diversificação para aquelas que aliarem capacidade técnica a um investimento estruturado.
Compreender como a engenharia portuguesa de moldes pode responder a estes novos requisitos e integrar estas cadeias de valor estratégicas é um dos eixos de debate fundamentais que justifica a presença deste tema no programa do XII Congresso da Indústria de Moldes, marcado para os dias 26 e 27 de novembro, no Teatro Stephens, na Marinha Grande.
Faça parte desta reflexão sobre o futuro e a diversificação da nossa indústria. As inscrições encontram-se abertas e podem ser efetuadas diretamente através do site oficial do evento em www.cim-portugal.pt.